Luciana Silva 2006  


 A formação de professores e as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação.

                                                                                                             

                                                                                                          Por Luciana Silva

 

As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) invadiram a sociedade. Elas estão presentes em todos os espaços acarretando significativas transformações econômicas, políticas e sociais na sociedade contemporânea. A educação, aqui entendida como reflexo da sociedade, não poderia ficar imune a tamanhas mudanças.

 

                  O uso das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) na educação abre diversas questões de premente discussão. Por um lado, encontram-se as instituições que precisam incorporar essas tecnologias para que não se tornem ainda mais obsoletos no(s) seu(s) objetivo(s). Por outro lado, as NTIC não podem ser integradas nos moldes da educação tradicional. Na realidade, não se pode pensar na introdução das inovações tecnológicas sem profundas mudanças nos modos de ensinar e na própria concepção dos sistemas educativos. ( Martins,2006,p.1)

 

Neste cenário as NTIC trazem novas possibilidades à educação, exigindo reestruturação dos ambientes educacionais, em todos os seus aspectos e uma nova postura dos professores. Pois estes precisam estar preparados para introduzir tais inovações tecnológicas na sua práxis pedagógica.  Assim, “um dos maiores desafios na introdução das diversas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) nos processos educacionais tem sido a formação de professores” (Passos, 2003, p.344). Nesta perspectiva, a formação que tem sido oferecida aos professores contemplam a demanda da educação frente as NTIC?

 

Com base em análise de alguns textos, nas minhas experiências na prática docente e nas discussões suscitadas em torno do tema na disciplina EDC-287 Educação e tecnologias contemporâneas FACED/UFBA, constatei que ainda é muito precária a formação dos professores das escolas públicas para trabalhar com as NTIC. A formação oferecida aos professores não tem lhes possibilitado a efetiva utilização e exploração das potencialidades das NTIC, como parceiras do processo ensino e aprendizagem. Neste sentido, Mercado ressalta,


Escrito por Luciana às 18h26 [   ] [ envie esta mensagem ]





            o  processo de preparação dos professores, atualmente, consiste em cursos ou treinamentos com pequena duração, para exploração de determinados programas, cabendo ao professor o desenvolvimento de atividades com essa nova ferramenta junto aos alunos, sem que tenha oportunidade de analisar as dificuldades e potencialidades de seu uso na prática pedagógica. (Mercado, 2002, p.18)

Com vistas a oferecer uma formação “adequada” aos professores das escolas públicas o Governo Federal tem implantado políticas públicas através de alguns programas educacionais que visam “treinar” os professores para incluir o uso das NTIC na educação nacional. Dentre eles destaca-se o PROINFO - Programa Nacional de Informática na Educação. O PROINFO criado em abril de 1997, pelo MEC - Ministério da Educação para promover o uso da Telemática como “ferramenta” de enriquecimento pedagógico no ensino público fundamental e médio. Há algumas criticas em relação a esse programa quanto a sua abrangência e sua eficácia, por se tratar de cursos rápidos e voltados para o manuseio das NTIC. Segundo Bonilla (2002, p.45), “o processo de formação de professores precisa ser percebido como um processo amplo, complexo, que envolve muitos fatores, além da utilização prática da tecnologia”.

É preciso entender as NTIC como muito mais que ferramentas para auxiliar o educador na sua prática pedagógica. Para Pretto (1996), as NTIC devem ser consideradas como “máquinas estruturantes de novas formas de pensar, sentir e agir na contemporaneidade”. Se os professores vê as NTIC apenas como recursos utilizados para dinamizar as aulas perdem de explorar o potencial fantástico que estas máquinas podem proporcionar para o desenvolvimento dos cidadãos da era digital. O educador precisa adquirir competências para acompanhar os seus educandos nesse processo.

A formação inicial dos profissionais da docência tem sido alvo de preocupações por especialistas que estudam a questão. O que se tem constatado é uma formação inadequada ou insuficiente o que trará problemas para sua prática pedagógica. É enfatizada a necessidade de investimentos em recursos humanos e físicos, o repensar dos currículos e das metodologias.  

 Para Mercado é preciso,

  Uma organização curricular inovadora que, ao ultrapassar a forma tradicional de organização curricular, estabelece novas relações entre a teoria e a prática. Oferece condições para a emergência do trabalho coletivo e interdisciplinar e possibilite a aquisição de uma competência técnica e política que permita ao educador se situar criticamente no novo espaço tecnológico (Mercado, 2002, p.18).

 Geralmente nos curso de graduação são oferecidas apenas uma disciplina para dar conta da complexidade que envolve a questão das NTIC na educação. Neste cenário de descrito, Martins entende que

          é necessário construir caminhos para os professores se apropriarem criticamente das novas tecnologias e entenderem que qualquer mudança dependerá em grande parte da sua capacidade de analisar e adotar princípios, estratégias e técnicas mais adequadas ás condições da realidade educacional numa sociedade cada vez mais informatizada (Martins,2006,p.1).

Percebo que a questão da formação docente fica a cargo da responsabilidade de cada um, e com os muitos problemas enfrentados por essa categoria, não vejo pelo menos a curto prazo, uma mudança radical nos processos de introdução das NTIC na educação. Dessa forma não vejo o professor assumindo seu novo papel, já que formação e a definição do  papel do professor são coisas intimamente atreladas. Segundo Passos

 

     Analisar a formação docente para utilização das TIC requer também o redimensionamento do papel do professor numa sociedade onde a comunicação está cada vez mais mediada por essas tecnologias, sendo a digitalização e a interatividade algumas marcas desse processo (Passos, 2003, p.345).

O professor transmissor de informações precisa “sair de cena” e dar lugar a um profissional que tenha uma visão mais ampla do processo ensino e aprendizagem, disposto à construção do conhecimento juntamente com os alunos. Levando em consideração que muitas vezes os alunos, têm mais “habilidades”, ou melhor, vivenciam mais esse mundo dominado pelas NTIC do que os próprios, o que pode estabelecer problemas de relacionamentos nos espaços educativos. Diante dessa realidade o professor precisa se preparar para enfrentar os desafios encontrados no seu cotidiano, na sua prática pedagógica. Para Silveira (2001, p.28), “o professor será cada vez mais um orientador indispensável, um coordenador de expedições em busca dos saberes coletivos”.


Escrito por Luciana às 18h24 [   ] [ envie esta mensagem ]





Dessa forma, urge a necessidade de uma formação docente que contemple a efetiva integração das NTIC no processo de ensino e aprendizagem, para acompanhar um mundo globalizado em constantes transformações. 

 

A formação de professores para atender essa realidade não tem atingido seus objetivos, sendo restrita a uma formação inicial e não tem sido privilegiada de maneira efetiva pelas políticas públicas em educação nem pelas universidades. As soluções propostas inserem-se, principalmente, em programas de formação de nível de pós-graduação ou, como programas de treinamento de recursos humanos. O perfil do profissional de ensino é orientado para uma determinada “especialização” e como resultado se evidencia a fragilidade das ações e da formação, refletidas também através dos interesses econômicos e políticos (Mercado, 1999, p.18).

Todavia, não podemos pensar que uma formação docente de qualidade para a introdução da NTIC na educação vai resolver os inúmeros problemas da educação pública brasileira, que necessita de uma reestruturação de seus sistemas, de políticas de valorização do magistério e de melhores condições materiais para o desenvolvimento do trabalho pedagógico.

 

 

Referências:

BONILLA, Maria Helena Silveira. Inclusão digital e formação de professores. Revista de Educação, v.XI. n.1, p.43 - 49, 2002.

MERCADO, Luís Paulo Leopoldo. Formação Continuada de Professores e Novas Tecnologias. Maceió: EDUFAL, 1999.

MERCADO, Luís Paulo Leopoldo (org). Novas Tecnologias na Educação: reflexões sobre a prática. Maceió: EDUFAL, 2002.

PRETTO, Nelson de Luca (org).Tecnologias e novas educações. Salvador: EDUFBA, 2005.

PASSOS, Maria Sigmar Coutinho. Navegar é preciso: considerações sobre a formação de professores e as TIC. Revista da FAEEBA, Salvador, v.12. n.20, p.343-351,jul./dez.,2003.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Exclusão Digital: a miséria na era da informação. São Paulo. Fundação Perseu Abramo, 2001.

MARTINS, Hélder Fanha. O professor e as NTIC. Disponível em http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=1552 Acessado em 06 jul. 2006.

http://www.proinfo.mec.gov.br Acessado em 06 jul. 2006.
Escrito por Luciana às 18h21 [   ] [ envie esta mensagem ]



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